"um bairro internacional turístico e cultural integrado”
Macau prepara-se para dar um novo passo na sua afirmação como centro mundial de turismo e lazer com a criação da Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados. O projecto visa transformar a cidade numa plataforma de intercâmbio entre as culturas chinesa e ocidental, através de três grandes infra-estruturas dedicadas à museologia, às artes performativas e à arte contemporânea
Texto Nelson Moura
A Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau apresenta-se como um dos mais ambiciosos projectos do Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), procurando implementar a estratégia de criação de uma “Macau Cultural”.
Concebida como uma plataforma internacional de intercâmbio cultural sino-ocidental, a Zona Cultural “constitui um novo marco cultural que integra espectáculos culturais, intercâmbio cultural e artístico, turismo e lazer, assim como instalações complementares de comércio, promovendo o desenvolvimento diversificado da economia e o crescimento sustentável e de alta qualidade de Macau”, referiu, em Novembro, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, no seu discurso de apresentação das Linhas de Acção Governativa para 2026.
O projecto apresentado pelo Governo da RAEM assenta em três infra-estruturas culturais principais, cada uma com funções nucleares e complementares próprias, mas interligadas de forma a constituir um ecossistema coerente de museologia, artes performativas e arte contemporânea. A implantação territorial combina duas áreas adjacentes que oferecem vantagens funcionais e paisagísticas: o terreno marginal a leste da Torre de Macau e a Zona C dos Novos Aterros, onde se estabelece a articulação entre os vários espaços.
Através da utilização de duas parcelas nas duas margens, serão construídas três instalações culturais de grande dimensão: o Museu Nacional da Cultura de Macau, o Centro Internacional de Artes Performativas de Macau e o Museu Internacional de Arte Contemporânea.
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Segundo O Lam, será feito um esforço para criar “instalações culturais com influência internacional, emblemáticas e de alto padrão”. Estas infra-estruturas, adiantou, permitirão também criar “um novo motor para a diversificação adequada da economia, novas oportunidades de emprego para os residentes e um novo marco cultural para as actividades culturais”.
A governante disse ainda que, através do planeamento e construção da Zona Cultural, Macau irá alinhar-se “proactivamente com a estratégia do Estado sobre o desenvolvimento cultural”, promovendo o cartão de visita da imagem de Macau como “Cidade de Cultura da Ásia Oriental”, construindo uma Macau cultural mais aberta, inclusiva e cativante.

De acordo com o documento de apresentação do conceito do projecto, a Zona Cultural será um complexo cultural internacional que acolherá “exposições e conferências académicas de nível nacional, bem como eventos internacionais de exibição cultural, de forma a mostrar os frutos diversificados da cultura chinesa e da arte contemporânea”.
Nesse sentido, o Instituto de Investigação Turística da China foi encarregue de proceder ao planeamento e estudo preliminar relativo à construção da Zona Cultural, tendo recolhido e auscultado amplamente opiniões de vários sectores da sociedade, nomeadamente a localização, a construção e a operação, a concepção do espaço e as suas funções.
Valorizar a diferença
De acordo com o calendário apresentado pelo Governo da RAEM, está previsto iniciar-se durante o corrente ano os trabalhos relacionados com a Zona Cultural, em particular a concepção arquitectónica do Museu Nacional da Cultura de Macau.
Segundo o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, prevê-se que, no decorrer deste ano, seja aberto o concurso público para o projecto conceptual da Zona Cultural. O Governo espera que a iniciativa possa elevar o nível da diversificação cultural e da internacionalização de Macau, construir uma janela importante para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre a cultura chinesa e a ocidental, atrair mais turistas para Macau e impulsionar o desenvolvimento integral da economia de Macau, frisou Sam Hou Fai em Novembro.
Já no início de Setembro, o Chefe do Executivo tinha indicado que o Governo da RAEM estava empenhado em enriquecer, constantemente, os elementos de Macau como um centro mundial de turismo e lazer, acelerando o desenvolvimento da indústria cultural para impulsionar a criação da “Cidade Cultural”, no sentido de pôr em prática o espírito consagrado nos discursos do Presidente Xi Jinping sobre a construção de Macau como uma plataforma para a abertura ao exterior de padrão mais elevado.
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Num encontro com o ministro da Cultura e Turismo, Sun Yeli, Sam Hou Fai frisou que, com o posicionamento da RAEM como “Um Centro, Uma Plataforma e Uma Base” e as vantagens do ponto de encontro das culturas chinesa e ocidental, Macau deve promover a prosperidade das indústrias culturais e turísticas através de meios diversificados, a fim de apresentar melhor a cidade ao mundo e difundir a excelência da cultura chinesa, através do intercâmbio internacional entre as pessoas.
Sam Hou Fai mostrou-se confiante de que, com o apoio do Ministério da Cultura e Turismo, Macau poderá reforçar a sua vantagem competitiva na área do turismo cultural, integrar-se melhor nas estratégias de desenvolvimento nacional e contribuir de forma mais aprofundada para a “abertura de alto padrão do País e a construção de uma nação forte a nível cultural”.
De acordo com o documento de apresentação do projecto, no seu conjunto, as três infra-estruturas culturais criarão uma zona integrada de grande escala e forte impacto urbano. A iniciativa propõe articular património, inovação e criação contemporânea, estabelecendo as bases para que Macau se afirme como uma nova plataforma cultural de referência internacional, capaz de atrair talentos, visitantes e projectos de todo o mundo, divulgando globalmente o valor singular da herança cultural da cidade.

O Museu Nacional da Cultura de Macau ficará instalado no terreno situado a este da Torre de Macau, beneficiando da proximidade ao Centro Histórico de Macau e de uma posição privilegiada na marginal sul da península.
O espaço museológico terá como funções principais a exposição, a colecção, a investigação, a educação social e o intercâmbio internacional, oferecendo também experiências interactivas. Dará especial destaque às relíquias históricas chinesas, às peças que ilustram o intercâmbio sino-ocidental e aos objectos culturais que caracterizam Macau, de acordo com o documento de apresentação.
Contará ainda com áreas especializadas para conservação, restauro e depósito do acervo, incluindo laboratórios e zonas técnicas concebidas para garantir a preservação patrimonial. Para além dessas funções, assumirá igualmente um papel formativo e criativo, com actividades educativas, projectos culturais e iniciativas de lazer público, reforçando a ligação entre cultura, comunidade e turismo. O museu terá também como funções a formação de talentos para as indústrias culturais e para a museologia, bem como a incubação de projectos culturais.
Nesse âmbito, está prevista a construção do maior museu da RAEM, com uma área estimada entre os 80 mil e os 100 mil metros quadrados, perspectivando-se uma “relação de cooperação a longo prazo com o Museu Nacional da China e uma colaboração alargada com instituições culturais e museológicas de referência, tanto a nível nacional como internacional”, segundo o documento de apresentação do projecto.

O Centro Internacional de Artes Performativas de Macau, localizado no sector oeste da Zona C dos Novos Aterros, será um espaço dedicado às diversas artes performativas, com capacidade para acolher espectáculos de diversas dimensões, formatos e tipologias. Integrará espaços técnicos para espectáculos, salas de actuação, palcos imersivos, estúdios de ensaio e espaços de criação artística, concebidos tanto para repertórios internacionais como para projectos de artistas locais.
O centro terá também funções de formação, intercâmbio e cooperação, acolhendo programas destinados ao desenvolvimento de talentos na área das artes performativas e ao estabelecimento de redes internacionais. Além da programação artística, incluirá serviços de lazer público, áreas comerciais, actividades turísticas e programas de incubação cultural, constituindo-se como um pólo vibrante de produção e difusão artística.
De acordo com o documento de apresentação, este centro irá assumir-se como uma plataforma internacional integrada de artes performativas públicas, “vocacionado para proporcionar uma oferta rica e diversificada de programas e experiências artísticas, tanto para os residentes de Macau como para os visitantes internacionais”.
No projecto preliminar, a área de construção prevista é de aproximadamente 55 mil a 65 mil metros quadrados, com uma concepção geral que “valoriza a adaptabilidade e a diversidade e responde às exigências das actividades no campo das artes performativas, que têm múltiplas dimensões, formatos e estilos”.

O Museu Internacional de Arte Contemporânea será implantado no lado leste da Zona C dos Novos Aterros, complementando o Centro Internacional de Artes Performativas de Macau e formando, em conjunto, um corredor cultural contínuo. Este museu dedicará a sua actividade à arte moderna e contemporânea, com enfoque no diálogo entre a criação chinesa e ocidental.
O espaço contará com espaços amplos e flexíveis para exposições, colecções, investigação, criação artística e actividades educativas, proporcionando aos residentes e visitantes experiências diversificadas e de elevada qualidade. O museu acolherá ainda programas de cooperação internacional, residências artísticas, iniciativas de incubação e serviços comerciais, posicionando Macau na rede contemporânea de arte global.
No projecto preliminar, a área de construção prevista deste espaço museológico é de aproximadamente 35 mil a 45 mil metros quadrados.
A organização geral do museu valoriza a diversidade e a abertura do espaço, permite proporcionar uma sala multiusos para jovens artistas e projectos de arte experimental, além de apoiar e divulgar grandes exposições internacionais, facilitando assim uma melhor integração de Macau na rede global de arte contemporânea.
Segundo o documento de apresentação do projecto, estão previstas parcerias de cooperação com galerias de arte e grupos de artistas, nacionais e internacionais, por forma a exibir obras relativas às artes moderna e contemporânea, bem como promover o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre a China e o Ocidente no domínio das artes. Concomitantemente, será dada atenção à criação local de arte contemporânea, “com o intuito de construir um sistema narrativo de artes moderna e contemporânea numa perspectiva intercultural”, de acordo com o documento.
https://www.revistamacau.com.mo/2026/01/01/um-novo-marco-para-a-macau-cultural/
Museu Nacional | Projecto de arquitectura no próximo ano
No debate de sexta-feira sobre a área dos Assuntos Sociais e Cultura, O Lam assegurou estar “previsto iniciar em 2026 os trabalhos de concepção arquitectónica do Museu Nacional da Cultura de Macau”.
O projecto está integrado no plano de edificar, no território, “três instalações culturais de grande dimensão”, incluindo o Centro Internacional de Artes Performativas de Macau e o Museu Internacional de Arte Contemporânea.
No discurso inaugural do debate, O Lam destacou que o Executivo vai fazer o esforço de tornar estes futuros espaços em “instalações culturais com influência internacional, emblemáticas e de alto padrão”, além de criar um “novo motor para a diversificação adequada da economia, novas oportunidades de emprego para os residentes e um novo marco cultural para as actividades culturais”.
Foi também criado, explicou a secretária, um grupo de trabalho interdepartamental para coordenar uma série de projectos culturais e do ensino superior, nomeadamente a “preparação e construção da Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin” e também do Centro de Transferência e Transformação de Tecnologia das Instituições de Ensino Superior do Estado.
O Executivo pretende ainda sediar, no terreno marginal a leste da Torre de Macau e na Zona C dos Novos Aterros, a Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau.
https://hojemacau.com.mo/2025/12/01/museu-nacional-projecto-de-arquitectura-no-proximo-ano/
nov25
Deputados pedem reforço dos laços com os PLP nas esferas cultural e jurídica
Numa intervenção conjunta apresentada antes da ordem do dia, os deputados nomeados Kou Kam Fai e Lam Fat Iam sugeriram que Macau organize, em sinergia com os países de língua portuguesa (PLP) e de língua espanhola, bem como os países integrados na “Uma Faixa, Uma Rota”, iniciativas como anos culturais e festivais de artes nas três instalações culturais que o Governo pretende erguer na Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados (ZITCI). Os deputados acreditam que, desse modo, as três instalações serão transformadas em pólos de intercâmbio entre a cultura chinesa e as civilizações estrangeiras, em prol do reforço da imagem de Macau na arena cultural internacional. Além disso, defenderam que o projecto ZITCI deve estar em consonância com o perfil de Macau, Cidade Cultural da Ásia Oriental, com o posicionamento de plataforma sino-lusófona e com os instituições museológicas de topo, como o Museu Nacional, o Museu do Palácio Imperial e o Museu Britânico, no sentido de criar um mecanismo de intercâmbio regular, envolvendo exposições especiais, empréstimos de peças e importação de curadores e gestores de renome internacional. Já Iau Teng Pio propôs que sejam melhorados os mecanismos jurídicos de cooperação com os PLP e os países de língua espanhola em áreas como a mediação comercial, a arbitragem e a protecção do investimento, para reforçar a credibilidade internacional de regras, “injectando vitalidade duradoura no Estado de direito sob o princípio ‘um país, dois sistemas’”.
https://jtm.com.mo/local/deputados-pedem-reforco-dos-lacos-os-plp-nas-esferas-cultural-juridica/
nov25
O Governo está a avançar com o planeamento da Zona Internacional de Cultura e Turismo Integrados, conhecida como Zona Cultural, com o objectivo de reforçar o posicionamento de Macau como Centro Mundial de Turismo e Lazer e promover a integração entre cultura, comércio e turismo.
Entre 13 e 15 de Novembro, o Instituto Cultural realizou três sessões de recolha de opiniões com representantes de vários serviços públicos, incluindo Turismo, Solos e Construção Urbana, Obras Públicas, Assuntos de Tráfego e o Instituto de Análise de Dados da Academia de Turismo da China.
Durante os encontros, foram apresentadas aos conselhos do Património Cultural, do Desenvolvimento Cultural, ao sector cultural e ao Conselho para o Desenvolvimento Turístico, as metas de posicionamento da Zona Cultural, a escolha do local, os equipamentos complementares e o futuro modelo de gestão.
Os participantes concordaram com o planeamento do Governo e sugeriram melhorias na acessibilidade, nos transportes e nas funcionalidades dos recintos, defendendo uma melhor integração da nova área com os actuais recursos culturais e turísticos, bem como o aproveitamento da paisagem marginal para elevar a qualidade dos espaços.
O Instituto Cultural anunciou ainda que duas sessões públicas serão realizadas em Dezembro, cujos detalhes serão divulgados posteriormente. O público pode consultar a apresentação do projecto e enviar sugestões através da página electrónica www.icm.gov.mo/rd/BIITCM ou por via postal, fax, email ou telefone.
https://www.plataformamedia.com/2025/11/17/planeamento-da-zona-cultural-em-consulta-publica/
nov25
Bairro internacional turístico e cultural é nova etapa no desenvolvimento económico da RAEM, diz O Lam
nov25
Land plots by Macau Tower and Urban Zone C tipped as new Integrated Tourism and Cultural Zone
The coastal area to the east of Macau Tower and the New Urban Zone C have been identified as preferred locations for the development of the Macau International Zone for Integrated Tourism and Culture, a flagship initiative to boost the city’s economic diversification.
The proposal was unveiled by the Macau government on Thursday, coinciding with the launch of a public consultation period running from 13 November to 26 December.
According to the plan, this new project comprises three anchor facilities: the Macau National Museum of Culture, the Macau International Performing Arts Centre, and the International Museum of Contemporary Art.
Speaking at the launch of the consultation, Secretary for Social Affairs and Culture O Lam said the government aims to build a project that is “iconic, high-standard, and internationally influential.”
“[It] will become a new engine for local economic diversification, a source of new employment opportunities for residents, and a new cultural landmark for the city,” she stated.
Five sites considered, two favoured
The proposal outlines five potential locations for the development: the coastal area east of the Macau Tower; the former Macau Jockey Club site in Taipa; the former Ocean World site near Regency Art Hotel in Taipa; and New Urban Zones A and C of Macau’s five newly reclaimed land areas.
But Dai Bin,president of the China Tourism Academy and director of the Data Centre of the Chinese Ministry of Culture and Tourism, noted that the coastal site by Macau Tower and Zone C are the preferred locations. The academy has been commissioned by the Macau government to draft the plan.
“These two sites face each other across the strait and are in close proximity, making them suitable for integrated planning and development,” Dai said, adding that both are surrounded by rich cultural and tourism resources while posing minimal disruption to residents’ daily lives.
The project is one of four major infrastructure initiatives announced by Chief Executive Sam Hou Fai in his maiden Policy Address in April, aimed at accelerating Macau’s economic diversification. The city’s leader stated at the time that the total investment for the project amounted to MOP12 billion (US$1.5 billion).

Largest museum in Macau
Under the proposal, the Macau National Museum of Culture, with a construction area of 80,000 to 100,000 square metres, will be located along the eastern coast near Macau Tower. Its proximity to the Historic Centre of Macau, a cluster of UNESCO world heritage sites, is expected to deepen the integration of cultural and tourism resources.
As the city’s largest museum, it will feature core spaces for heritage storage, conservation, research, and exhibitions, alongside supporting facilities for education and exchange, incubation, commercial services, public leisure, and more.
The museum is set to establish a long-term partnership with the National Museum of China, and foster broad collaboration with leading cultural institutions from Mainland China and internationally.

Facilities for performing and contemporary art
Meanwhile, the Macau International Performing Arts Centre and the International Museum of Contemporary Art—with construction areas of 55,000–65,000 square metres and 35,000–45,000 square metres respectively—will be built in New Urban Zone C.
The performing arts centre will include spaces for performances, rehearsals, and creative production in a range of formats and sizes, supported by facilities for education, cultural exchange, incubation, and commercial use.
The centre will feature top-tier productions from leading performing arts institutions in Mainland China and abroad, while also supporting performances by local groups and emerging young artists, the proposal added.
The International Museum of Contemporary Art will focus on art collection, research, exhibition, and education, while also prioritising talent cultivation, international exchange, and commercial engagement.
It is envisioned as a flexible platform for major international exhibitions and experimental projects by young artists, offering both long-term and short-term creative spaces for local and overseas artists.
Operational models
The proposal outlines nine potential operational models for the zone, including government-led, private-sector-led, and joint venture approaches.
To gather feedback for the project, the government plans to organise seven consultation sessions before 26 December, five aimed at professional sectors and two open to the general public.
https://www.macaubusiness.com/land-plots-by-macau-tower-and-urban-zone-c-tipped-as-new-integrated-tourism-and-cultural-zone/
nov25
O Governo está a recolher opiniões sobre a criação da “Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau”, projecto no qual são configuradas três novas infra-estruturas culturais incluindo dois museus e um centro de artes. O planeamento preliminar indica que os recintos serão localizados num terreno perto da Torre de Macau e na Zona C dos Novos Aterros. Através do projecto, o Instituto Cultural espera criar um novo marco que integre intercâmbio artístico-cultural, turismo, lazer e actividades comerciais.
Macau terá três novas infra-estruturas culturais perto da Torre de Macau e na Zona C dos Novos Aterros, integradas no projecto da “Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau”, que prevê a construção do Museu Nacional da Cultura de Macau, do Centro Internacional de Artes Performativas de Macau e do Museu Internacional de Arte Contemporânea.
O Governo apresentou ontem a concepção do projecto e anunciou a recolha de opiniões, que começou também ontem e vai terminar a 26 de Dezembro. De acordo com o documento, o planeamento da criação da Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau está alinhado com a política de diversificação económica, visando “criar espaços culturais de alta especificação, caracterizados pela riqueza cultural e pelo espírito contemporâneo”.
Neste caso, o Executivo acredita que o projecto possa “criar um novo marco que integre exposições e espectáculos culturais, intercâmbio artístico-cultural, turismo e lazer, bem como instalações comerciais”.
Leong Wai Man, presidente do Instituto Cultural (IC), disse acreditar que o projecto possa satisfazer as necessidades de localização de exposições culturais e apresentações artísticas na nova era, colmatar a lacuna na oferta de instalações culturais em Macau, bem como proporcionar uma plataforma prática, oportunidades de emprego e apoio ao empreendedorismo para a indústria cultural e para a geração mais jovem.
MUSEU COM FOCO NO INTERCÂMBIO CULTURAL
Entre os três recintos propostos, o Museu Nacional da Cultura de Macau é agora designado, segundo o plano preliminar, a ser construído no terreno marginal a leste da Torre de Macau. Com uma área planeada de aproximadamente 80 mil a 100 mil metros quadrados, a instalação tornar-se-á o maior museu de Macau.
O projecto estipula que este museu vá abranger espaços funcionais nucleares, nomeadamente zona de armazenamento, conservação e investigação do acervo museológico e das exposições flexíveis, bem como instalações complementares vocacionadas para o intercâmbio e o ensino, para a incubação, instalações comerciais, espaços de lazer público e serviços operacionais.
Com o foco no intercâmbio cultural, o documento sugere que este museu exibe, de uma forma coesa, peças representativas da cooperação entre a China e o Ocidente, o acervo histórico com características de Macau e relíquias históricas da cultura chinesa. “Peças através das quais se entende a troca cultural sino-ocidental, bem como as histórias de Macau e da China e as suas interacções culturais, no sentido de construir pontes para o intercâmbio entre diversas civilizações de todo o mundo”, salienta.
O Governo indicou que pretende, através deste museu, estabelecer uma relação de cooperação a longo prazo com o Museu Nacional da China e com instituições culturais e museológicas de referência, nacionais ou internacionais, interligando ainda os recursos museológicos históricos e sectoriais existentes no território.
APOIO À INDÚSTRIA LOCAL
O Centro Internacional de Artes Performativas de Macau deverá ocupar o oeste da Zona C dos Novos Aterros, ou seja, o terreno em frente da Avenida do Oceano, com uma área de construção variada entre 55 mil e 65 mil metros quadrados. O posicionamento do centro é de ser uma “plataforma internacional integrada de artes performativas públicas”, oferecendo ainda às companhias e aos artistas um espaço dedicado à criação, à cooperação e à formação especializada.
O planeamento refere que a organização geral do centro valoriza a adaptabilidade e a diversidade, para responder às diversas exigências das actividades das artes performativas. “Presta igualmente apoio aos serviços públicos de artes performativas e ao desenvolvimento da respectiva indústria de Macau”, assume.
Desse modo, segundo afirma o Executivo, o centro de arte vai estabelecer parcerias com companhias e artistas de mérito reconhecido nacional e internacional, e vai introduzir repertórios de grande qualidade, bem como obras originais, dando ainda apoios a grupos de artes performativas e jovens artistas locais.
LIGAÇÃO À ARTE CONTEMPORÂNEA
O Museu Internacional de Arte Contemporânea, por sua vez, terá uma área de construção de 35 mil a 45 mil metros quadrados, com localização prevista num lote do lado leste da Zona C dos Novos Aterros.
O recinto cultural contará com espaços para funções nucleares para exposições permanentes, colecções, investigação e criação artística, juntamente com espaços com outras funções, como ensino e intercâmbio, incubação, serviços comerciais, lazer público, operação e serviços.
De acordo com a apresentação, o museu dará prioridade à diversidade e à abertura do espaço, e proporcionará uma sala multiusos para jovens artistas e projectos de arte experimental, além de apoiar e divulgar grandes exposições internacionais, de forma a facilitar a integração de Macau na rede global de arte contemporânea.
As autoridades pretendem criar parcerias de cooperação com galerias de arte e grupos de artistas, nacionais e internacionais, por forma a exibir obras relativas às artes moderna e contemporânea, que beneficiam a promoção do intercâmbio e da aprendizagem mútua entre a China e o Ocidente no domínio das artes.
CONSIDERAÇÃO GEOGRÁFICA
Em relação à escolha da localização para o projecto, o IC explica no documento que verificou que há cinco terrenos que satisfazem as necessidades básicas para a construção das instalações planeadas na Zona Cultural. As alternativas são os lotes D11 e D12 na Zona A, uma parte do terreno inicialmente destinado ao Parque Oceanis, na Taipa, o antigo terreno do Jockey Club, o terreno marginal a leste da Torre de Macau e a Zona C.
No entanto, o IC considera que o projecto deve adoptar o modelo de combinação de duas parcelas de terreno devido à dimensão do espaço de construções.
A análise diz que o terreno perto da Torre de Macau e os da Zona C estão virados um para o outro e são divididos por um curto estreito, o que permite a sua organização numa área única, revelando-se propícia à composição de uma unidade paisagística e à consolidação de uma plataforma cultural articulada. De destacar também que o terreno marginal a este da Torre de Macau possui fácil acesso ao transporte e o projecto criará novas linhas de autocarro para aliviar a pressão do trânsito, sendo que a “opção perturba menos os moradores vizinhos”, afirmou.
O documento detalhou que as parcelas na Zona A apresentam alguma dificuldade em formar num curto espaço de tempo um cluster de indústrias culturais e turísticas; enquanto o antigo terreno do Parque Oceanis na Taipa poderá causar restrições significativas de capacidade de tráfego. Já o antigo terreno do Jockey Club, segundo o IC, apresenta uma “multiplicidade de recursos turísticos nas proximidades” e poderá integrar-se na faixa turística do COTAI, contudo, agravaria ainda mais o congestionamento do tráfego em vias de alto volume, como a Avenida da Amizade e a Estrada Governador Albano de Oliveira.
https://pontofinal-macau.com/2025/11/13/novo-projecto-do-governo-preve-construcao-de-tres-novos-recintos-culturais/
set25
O Chefe do Executivo comprometeu-se a criar “um bairro internacional turístico e cultural integrado” para mostrar Macau como uma “janela importante para o intercâmbio e aprendizagem mútua entre a civilização chinesa e a civilização ocidental”. O plano foi apresentado num encontro com o Ministro da Cultura e Turismo, Sun Yeli, na sexta-feira, e visa atrair “mais visitantes, dinamizando a economia local”, de acordo com uma nota de imprensa oficial.
Sam Hou Fai terminou na semana passada uma visita a Pequim, onde teve encontros com vários governantes chineses.
Uma das paragens foi no Ministério da Cultural e Turismo, na qual o Chefe do Executivo destacou que o “Governo da RAEM está empenhado em enriquecer, constantemente, os elementos de Macau como um centro mundial de turismo e lazer” e acelerar o desenvolvimento das indústrias cultural e desportiva para impulsionar a criação da “Cidade Cultural” e “Cidade do Desporto”.
Sam Hou Fai destacou também que Macau deve promover “a prosperidade das indústrias culturais e turísticas através de meios diversificados” para “apresentar melhor a cidade ao mundo e difundir a excelência da cultura chinesa, através do intercâmbio internacional entre as pessoas”.
https://www.plataformamedia.com/2025/09/09/turismo-sam-hou-fai-reforca-compromisso-com-bairro-internacional/
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